Pony
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O meu corpo sustenta o teu. O teu corpo sustenta o meu. O chão ampara-nos. O sofá ampara-nos. Tudo nos ampara entre essas quatro paredes... Inclusive. As tuas mãos percorrem cantos e recantos da minha silhueta enquanto os teus lábios se ligam ao meu pescoço. Perfeitas repetições. Fecho os olhos. Respiro fundo. Engulo em seco. Suprimimos o desejo de ir mais longe mas não negamos o deleite.
De tão despedaçado que estava, o meu coração abriu-se para ti. Foste tu. Não sei como, nem tão pouco o porquê. Mas foste tu. Ainda só passou um mês desde que entraste na minha vida. Tempo suficiente para eu perceber que a relação falhada da qual saí não levou tudo de mim. Atrai-me essa tua rebeldia consciente, com limites impostos pela tua maturidade. Atrai-me esse teu lado intelectual alimentado pelas vivências e experiências que a vida te trouxe. Atrai-me esse teu jeito. As calças largas. As camisolas XL. O gorro nos dias de frio. Ou então o chapéu. O teu sotaque meio lisboeta disfarçado no teu rap nortenho. O não pensar no amanhã - o carpe diem. Daí os cigarros na marina. Os dedos entrelaçados pelos Leões. Os primeiros beijos no carro às tantas da manhã. A proximidade dos nossos corpos, envoltos pelo chão do teu pequeno espaço. O murmurar ao teu ouvido "vamos parar com isto" e o ato contraditório de te beijar o pescoço logo de seguida, sem querer serenar o momento. Querer vs poder. Eterna dicotomia que teima em quebrar o sentido da ilustre frase de Horácio. Mas... O tempo tem muito tempo e nós muito tempo temos.
Pony
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